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Arts and Crafts

Saber contextualizar o Arts & Crafts na história da Inglaterra e do mundo é essencial para entendê-lo.

Por: Arquiteta Nadine Voitille       10 de Dezembro de 2018 - ATUALIZADO EM: 08 de Janeiro de 2019   |   VISUALIZAÇÕES 1.196

Arts & Crafts foi um movimento inglês, iniciado por volta de 1880, em resposta à forte industrialização que se desenvolvia naquela época. As condições de trabalho eram péssimas, havia poluição e o que era produzido, em massa, já não tinha a mesma qualidade de antes.
 
O governo inglês incentivou, a partir de 1830, a formação de profissionais que unissem o design e a indústria e isso gerou muita revolta. Foi então que surgiram figuras importantes, como John Ruskin e Augustus Pugin.
O primeiro defendia a liberdade para a arte (e acreditava na beleza do mundo natural), enquanto que o segundo pregava um retorno à sociedade de antes, com valores cristãos e arquitetura religiosa (por isso Augustus era muitas vezes chamado de medievalista).
As teorias de John Ruskim e de Augustus Pugin serviram para a criação da base teórica deste movimento.
 
O principal líder do Arts & Crafts foi Willian Morris (socialista), que sabia não ser possível negar o movimento industrial. Por isso ele queria unir as teorias de John às de Karl Marx, defendendo uma arte feita pelo povo, para o povo.
Em 1851 ocorreu a exposição "The Great Exhibition of the Works of Industry of All Nations (ou apenas The Great Exhibition), apresentando produtos como papéis de parede e têxteis da indústria. A partir desta exibição movimentos como o Arts & Crafts para a surgir como reação.
 
 
Visitantes da The Great Exhibition em 1851, que apresentou produtos que passavam a ser produzidos em larga escala pela indústria, como papéis de parede. Isso incentivou muitos a provar que o trabalho humano, manual, é muito melhor. Imagem: British Library
 
 
Segundo o Arts & Crafts, quem desenha também deveria executar, ou seja, o artista seria também o artesão. Isso agregaria valor à produção. O acabamento artesanal deveria ser de ótima qualidade, mostrando um profundo conhecimento do ofício.
 
 
Neste exemplo, o arquiteto Phillip Webb projetou a lareira de maneira orgânica, valorizando o trabalho do artesão. Imagem: Period House
 
 
O projeto desta sala é do arq Phillip Webb, com objetos fornecidos pela Morris Co. Imagem: Period House
 
Foi um período de valorização do trabalho manual, surgindo muitos liceus de ofício, também chamados de guildas. Também surgiram sociedades e associações influenciadas por Morris, todas com o objetivo de empregar os artesãos e lhes fornecer a oportunidade de criar arte.
 
 
Conjunto de café e exposição de tecidos da Liberty. Imagem: Period House
 
Um exemplo foi a criação em 1861 da Morris, Marshall, Faulkner & Co, especializada em móveis e decorações (como tapeçarias, vidros, pratarias, etc). A empresa deu certo e durou até 1874. Sua importância deixou um legado que permanece até hoje, como os papéis de parede Pimpernel (1876).
 
 
Estampa do papel de parede Pimpernel, da Morris, Marshall, faulkner & Co. Imagem: Nathalia Jung Hayden - Pinterest
 
 
Um momento importante do movimento foi em 1888 quando realizaram a Arts and Crafts Exhibition Society mostrando o trabalho de vários dos seus adeptos. Os principais produtos eram têxteis, jóias, papéis de parede...
A partir de 1890 o movimento Arts & Crafts (inglês) uniu-se ao Art Nouveau (internacional), o qual assimilou os novos materiais e técnicas, buscando provar que a indústria não seria capaz de reproduzir a complexidade das curvas que encontramos na natureza.
Com o advento da eletricidade e de novidades como o telefone, as mudanças eram inevitáveis.
O Arts & Crafts não conseguiu o objetivo de popularizar a arte, que continuou nas mãos dos mais afortunados. Mas conseguiu um lugar garantido no modernismo de 1922, que valorizou as artes decorativas (pinturas, tapeçarias, objetos decorativos).
 
 
Um ótimo exemplo visual que compara os dois movimentos. Como podemos notar, no Arts & Crafts o design é mais simples e mostra o lado "artesão" da peça. Já no Art Nouveau é muito mais rebuscado, mostrando a evolução das técnicas. Imagem: technologystudent
 
 

Arts & Crafts na Arquitetura

O Arts & Crafts foi marcante na área de interiores (tecidos, papéis de parede, objetos decorativos e de uso cotidiano). Mas o movimento também deixou alguma marca na arquitetura.
Como exemplo selecionei a Casa Vermelha (Red House) que William Morris fez para sua família.
 
 
 
Imagens: Flick - Gabrielle Ludlow
 
O principal objetivo de Morris era criar um refúgio. Conversou com Philip Webb (arquiteto) e juntos planejaram este projeto, cuja inspiração pricipal foi a idade média: telhados inclinados e chaminés marcadas.
O estilo gótico era o preferido do Arts & Crafts e detalhes como acabamentos ogivais sobre as janelas mostram isso. Eles acreditavam que o gótico era uma volta aos bons tempos, quando a arte dos artesãos era mais valorizada e não a "austeridade" da indústria. Além disso, o gótico remetia à cultura inglesa, bem diferente do classicimos greco-romano.
A casa foi construída em L, integrando o jardim à vivência da casa. Mas ela foi mal planejada: os quartos eram muito frios e a cozinha muito quente. Haviam muitas lareiras para compensar e a fumaça ficava dentro dos ambientes, o que exigiu a ampliação das chaminés algum tempo depois.
Enquanto Philip Webb projetou a residência (com uma planta muito simples), Morris a decorou: criou seus próprios vitrais, móveis, etc.
* Uma curiosidade interessante: Philip se itrritou tanto com os problemas da casa que chegou a deixar de visitá-la e a dizer que qualquer arquiteto só deveria projetar uma casa depois dos seus 40 anos. 
 
 
Esta é a porta de entrada com detalhes pintados a mão (vidros não são originais). Imagem: Flick - Kotomi Creations
 
 
Móvel pintado a mão. Imagem: Flick - Kotomi Creations
 
 
Imagem: Flick - Kotomi Creations
 
 
Imagem: Flick - Kotomi Creations
 
No geral, são características do Arts and Crafts na Arquitetura:
 
 

Resumo sobre o Arts & Crafts

 

 
Linha do tempo mostrando a contextualização do Arts and Crafts na história, marcando seu auge. Imagem: Clique Arquitetura.
 

Fontes Consultadas

 
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